Entre os dias 20 e 23 de setembro de 2026, a cidade de Berna, na Suíça, acolheu a Reunião Anual dos Conselhos Nacionais de Igrejas da Europa, promovida pela Conferência das Igrejas Europeias (Conference of European Churches), em colaboração com o Conselho Suíço de Igrejas.
O COPIC – Conselho Português de Igrejas Cristãs esteve representado pelo Presbítero Sérgio Alves, da Igreja Lusitana, membro da Direção.
A participação portuguesa permitiu partilhar o caminho ecuménico desenvolvido em Portugal, particularmente a tradução e publicação em Português, Janeiro de 2026, da Charta Oecumenica atualizada, preparada conjuntamente pelo COPIC e pela Conferência Episcopal Portuguesa.
O encontro reuniu representantes de diferentes tradições cristãs europeias, num ambiente de escuta, reflexão e comunhão. A unidade da Igreja, o lugar dos jovens na vida das comunidades cristãs e a concretização dos compromissos assumidos na Charta Oecumenica estiveram no centro dos trabalhos.
Um dos momentos mais significativos foi o diálogo com jovens teólogos cristãos suíços, que partilharam abertamente as suas expectativas, preocupações e experiências. O Pastor Florian Schubert, Presidente do Conselho Suíço de Igrejas, salientou que os jovens não devem ser considerados apenas como o futuro da Igreja: são parte viva da Igreja de hoje. Esta mudança de perspectiva foi apresentada como uma verdadeira “revolução” na forma de acolher a sua presença, participação e voz.
Lea Schlenker, Copresidente da Comissão responsável pela revisão da Charta Oecumenica, sublinhou que este texto deve permanecer um “documento vivo”. A nova edição conserva a visão ecuménica do texto de 2001, mas procura responder aos desafios do presente, entre os quais o acolhimento de migrantes e refugiados, a convivência entre religiões, a construção da paz e as transformações provocadas pelas novas tecnologias.
As diferentes intervenções recordaram também que os compromissos sociais da Charta devem permanecer enraizados na fé cristã e numa teologia sólida. A unidade dos cristãos não se reduz a uma estratégia institucional: nasce da oração de Cristo, da conversão das próprias Igrejas e da disponibilidade para caminhar, escutar e servir em conjunto.
O Secretário-Geral da CEC, Reverendo Frank-Dieter Fischbach, destacou a importância de preservar a dimensão europeia da Charta Oecumenica, mesmo quando o documento é progressivamente acolhido e concretizado nos diversos contextos nacionais e locais.
Num continente marcado pela guerra, pela polarização e por novas formas de exclusão, as Igrejas são chamadas a ser lugares de reconciliação, hospitalidade e esperança.
A experiência portuguesa foi recebida como um contributo concreto para este caminho. A tradução oficial da Charta para português (https://copic.pt/files/CartaEcumenica2025PT.pdf) , a sua apresentação pública em Lisboa através da cooperação entre o COPIC e a Conferência Episcopal Portuguesa e outros projetos em curso com outros parceiros ecuménicos, demonstram que o ecumenismo gera confiança, aproxima Igrejas e abre novas possibilidades de testemunho comum.
O COPIC pretende continuar este trabalho através de encontros de reflexão sobre a Charta, integrando os seus compromissos no plano estratégico em curso, promovendo o projeto Eco Igrejas Portugal, aprofundando o acolhimento e a integração de migrantes e reforçando a cooperação entre os jovens das diferentes Igrejas.
Mais do que um encontro institucional, a reunião de Berna foi um tempo de comunhão, aprendizagem e renovação do compromisso ecuménico. Ficou o desafio de não deixar a Charta Oecumenica apenas nas estantes ou nos arquivos, mas de a transformar em oração partilhada, relações de confiança e ações concretas ao serviço das pessoas e da Criação.
Num tempo marcado por divisões, as Igrejas europeias são novamente chamadas a caminhar juntas, na riqueza da diversidade, para que a unidade dos cristãos se torne um sinal visível da paz e do amor de Deus no coração da Europa.

O COPIC – Conselho Português de Igrejas Cristãs, estará representado na Reunião Anual dos Conselhos Nacionais de Igrejas da Europa, promovida pela CEC – Conferência das Igrejas Europeias em parceria com a Comunidade de Trabalho das Igrejas Cristãs da Suíça, que terá lugar em Berna, Suíça, entre os dias 21 e 23 de setembro de 2026.
Este ano, o encontro terá como principal eixo de reflexão a Charta Oecumenica para a Europa, recentemente revista, procurando aprofundar a sua atualidade, os seus fundamentos teológicos e, sobretudo, os caminhos concretos para a sua receção e implementação nas Igrejas e Conselhos Nacionais de Igrejas da Europa. O programa prevê espaços dedicados aos novos temas introduzidos na Charta, à sua teologia, à relação com as novas gerações e à partilha de experiências.
Um dos aspetos particularmente enriquecedores do encontro será a qualidade e diversidade eclesial e académica dos oradores, reunindo representantes de diversas tradições eclesiais, bem como responsáveis ecuménicos e jovens de diferentes confissões. Entre os participantes encontram-se Lea Schlenker, copresidente da comissão de redação da Charta Oecumenica, Florian Schubert, Presidente do Conselho Suíço de Igrejas, e os professores Stefanos Athanasiou, Barbara Hallensleben e Christophe Chalamet, que apresentarão diferentes perspetivas confessionais sobre a teologia da Charta.
A presença dos jovens terá igualmente um lugar de destaque, através de uma sessão dedicada à relação entre a Charta, o ecumenismo e as novas gerações, sublinhando a necessidade de transmitir e renovar o compromisso ecuménico num contexto europeu marcado por profundas transformações sociais, culturais e religiosas.
Portugal levará também para este encontro um relatório da atividade desenvolvida pelo COPIC e a experiência da tradução e divulgação da nova Charta Oecumenica em língua portuguesa, bem como o trabalho desenvolvido pelo COPIC na promoção do diálogo, da cooperação e do testemunho comum entre as Igrejas cristãs em Portugal.
Embora o COPIC não tenha a figura de um Secretário-Geral, o Presbítero Sérgio Alves, membro da Direção do Conselho, representará oficialmente o COPIC neste encontro, dando continuidade à participação que, por convite da CEC, vem mantendo nestas reuniões europeias desde 2016, ano em que o encontro teve lugar, pela primeira vez em Portugal.
Mais do que uma reunião institucional, o encontro de Berna será um espaço privilegiado de oração, escuta, reflexão teológica, partilha de experiências e construção de caminhos comuns, procurando traduzir a Charta Oecumenica em compromissos concretos para a vida das Igrejas e para o testemunho cristão na Europa de hoje.
Na ocasião da publicação da «Magnifica Humanitas», a nova encíclica do Papa Leão XIV sobre inteligência artificial e dignidade humana, o Bispo Prof. Dr. Heinrich Bedford-Strohm, moderador do Comité Central do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), expressou a sua gratidão pelo documento social papal.
«Magnifica Humanitas» (latim para «A Magnífica Humanidade») aborda os rápidos desenvolvimentos tecnológicos na era da digitalização, que encontram a sua expressão mais avançada na inteligência artificial.
«Este desenvolvimento traz grandes oportunidades, mas também grandes riscos», afirmou Bedford-Strohm. «O desenvolvimento tecnológico ganhou tal impulso que as regras que garantem a sua utilização responsável não acompanharam o ritmo.»
Isto torna ainda mais importante um debate público global sobre essas regras tão urgentemente necessárias, observou Bedford-Strohm. «Um dos objetivos é estabelecer mecanismos eficazes para proteger a liberdade e a dignidade humana contra as empresas de dados cujo poder de monopólio é agora praticamente incontrolável», afirmou. «Especialmente no que diz respeito à inteligência artificial, a questão central é também o conceito de humanidade.»
Bedford-Strohm acrescentou que é óbvio que as igrejas, com o seu rico tesouro de reflexão antropológica, têm algo importante a dizer nesta matéria. «É por isso que temos vindo a debater intensamente esta questão nos últimos anos no âmbito do Conselho Mundial de Igrejas», afirmou. «Estou muito grato pelo facto de o Papa Leão estar agora a dar um forte impulso a este debate com a sua nova encíclica, que, esperemos, tenha um impacto tão grande no público global como a encíclica Laudato Si’ do Papa Francisco teve na questão da ecologia.»

Mensagem de Pentecostes 2026 do Conselho Mundial de Igrejas
“Quando chegou o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar… Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito lhes concedia o dom… Dedicavam-se ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações. Todos ficaram admirados, pois muitos prodígios e sinais eram realizados pelos apóstolos. Todos os que acreditavam estavam juntos e tinham tudo em comum.” Atos 2:1,4 e Atos 2:42-44
O Pentecostes convida-nos a reimaginar comunidades que cuidam e partilham o que temos em comum. Num mundo dividido pela guerra, fome, pobreza, violência, injustiça e desastres ecológicos, o Pentecostes lembra-nos que somos chamados a viver em comunhão. Atos 2 diz que estavam reunidos num único lugar, onde ficaram «cheios de admiração perante os muitos prodígios e sinais realizados pelos apóstolos», que serviam como indicadores de uma comunidade renovada em Cristo.
A sua reunião não era apenas um grupo homogéneo, mas representava uma grande multidão de pessoas de muitos lugares, costumes e ideias, partilhando o pão e o que tinham em comum. Esta é uma lição para nós hoje. Apesar da época conturbada em que viviam, aceitaram o convite para se reunirem e deram o exemplo de uma nova forma de partilhar a vida em comum em Cristo, com o dom do Espírito Santo no centro.

Líderes de comunhões cristãs globais apelam a esforços renovados em prol do «Dom da Paz»
O Reverendo Anthony Poggo (canto superior direito), a Reverenda Dra. Anne Burghardt (canto superior esquerdo), o Reverendo Dr. Reynaldo Ferreira Leão Neto (canto inferior direito), o Reverendo Vinod Peacock (canto inferior esquerdo)
Quatro comunhões cristãs globais emitiram um apelo conjunto para que sejam renovados os esforços em prol do «dom da paz», em resposta à escalada de conflitos e à crescente instabilidade em todo o mundo.
Na declaração, os líderes da Comunhão Anglicana, da Federação Luterana Mundial, da Comunhão Mundial de Igrejas Reformadas e do Conselho Metodista Mundial expressam profunda preocupação com o custo humano da guerra e exortam os governos e as instituições internacionais a renovarem o seu compromisso com a diplomacia, a justiça e a construção da paz.
A declaração destaca o impacto devastador dos conflitos em curso em regiões como a Ucrânia, o Sudão, Gaza e Mianmar, e insta a um maior investimento na assistência humanitária, na construção da paz a nível local e na cooperação multilateral.

Tempestade Kristin – Apelo de Solidariedade Ecuménico
No âmbito das relações fraternas e ecuménicas entre as Igrejas do Conselho Português de Igrejas Cristãs (COPIC), partilhamos o apelo da Direção do Centro Social da Cova Gala, da Igreja Presbiteriana, na Figueira da Foz, duramente afetado pela depressão Kristin.
Os danos sofridos colocam em risco a continuidade de um trabalho social profundamente meritório, que inclui centro comunitário, apoio domiciliário, creche, jardim de infância e estufas, ao serviço da população local.
O COPIC convida todas as Igrejas, comunidades e fiéis a unirem-se num gesto concreto de solidariedade, juntando à oração a dádiva generosa, para que este Centro Social possa recuperar e continuar a servir com dignidade e segurança.
Apelamos a que este pedido seja acolhido individualmente e no seio das Igrejas membros do COPIC, como expressão viva da comunhão cristã e do testemunho do Evangelho.
“Mais bem-aventurado é dar do que receber”
(Atos 20:35)
Donativos:
Centro Social da Cova Gala
IBAN: PT50 0033 0000 0000 5693 0474 5
SWIFT/BIC: BCOMPTPL
🔹 De seguida, partilhamos na íntegra a mensagem de apelo da Pastora Sandra Reis, Diretora do Centro Social da Cova Gala, onde são descritos com maior detalhe os danos causados pela depressão Kristin e a urgência do apoio solidário.

«Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão saciados» (Mt 5,6)
Apelo ao voto na segunda volta das eleições presidenciais
No seguimento da recente apresentação pública da Carta Ecuménica subscrita pelas Igrejas cristãs ecuménicas em Portugal, o Conselho Português de Igrejas Cristãs (COPIC) reafirma o compromisso assumido de «incentivar a participação em processos democráticos que visem o bem comum» apelando deste modo, à participação das portuguesas e dos portugueses no ato eleitoral do próximo dia 8 de fevereiro.
Sendo o Presidente da República o principal garante da Constituição Portuguesa e promotor da unidade do Estado e da sociedade portuguesa, o COPIC está consciente da importância do próximo alto magistrado da Nação ser um efetivo promotor da unidade, do diálogo e do alcançar de consensos nas principais questões e áreas que hoje afetam a vida dos portugueses.
Também e constituindo a liberdade religiosa em Portugal um direito fundamental e na defesa da liberdade de pensamento, de consciência e religião consagradas no texto constitucional, importa que o próximo Presidente da República continue a ser um comprometido promotor do diálogo inter-religioso com uma visão ecuménica capaz de promover a paz e a colaboração entre as nações.
No atual contexto da sociedade portuguesa marcado pela migração o COPIC reafirma e tal como afirma a Carta Ecuménica «a dignidade e os direitos de cada ser humano e a riqueza da diversidade cultural e religiosa hoje existente», apelando à resistência à xenofobia e a todas as representações negativas dos migrantes, infelizmente expressas em discursos de ódio proferidos por alguns agentes políticos.
Sabendo que a democracia é um processo em permanente construção na defesa dos direitos humanos e entre eles o direito à liberdade de religião e de crença, certos de que todas e todos contam e podem e devem ajudar a melhorar o país, o COPIC, apela assim ao voto de todos os cidadãos no próximo ato eleitoral como forma de participação cívica, valorização do exercício do direito de voto e de salvaguarda das conquistas e desenvolvimentos alcançados ao longo de 52 anos de democracia.
O secretário-geral do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), Rev. Prof. Dr. Jerry Pillay, condenou veementemente os recentes ataques levados a cabo pelos Estados Unidos da América na Venezuela, incluindo a captura e detenção do presidente Nicolás Maduro e da sua esposa, descrevendo as ações como «uma violação flagrante e impressionante do direito internacional».
“Essas ações estabelecem um precedente e um exemplo perigosos para outros que buscam ignorar todas as restrições contra o uso da agressão armada e da força bruta para alcançar objetivos políticos”, escreveu Pillay.
Ele pediu a cessação imediata dos ataques e o respeito renovado pelos princípios do direito internacional e da soberania estatal. Também apelou aos organismos internacionais para que tomem medidas rápidas.
“O Conselho Mundial de Igrejas apela urgentemente à cessação de tais ataques, ao respeito pelos princípios do direito internacional e da soberania dos Estados e à resolução de disputas por meio do diálogo e da diplomacia, em vez da violência armada”, continuou a declaração, instando as Nações Unidas e a Organização dos Estados Americanos a intervir para garantir o cumprimento das cartas e convenções internacionais.
A declaração enfatizou as implicações globais mais amplas dos eventos.
“Nestes tempos perigosos e incertos, o mundo precisa de líderes sábios e corajosos para a paz, em vez da proliferação de conflitos e da normalização da ilegalidade internacional”, diz a declaração.
“Afasta-te do mal e faz o bem; busca a paz e segue-a.” - Salmo 34:14

Comunicado de imprensa conjunto com o CCEE: N.º: 13/25 5 de novembro de 2025 Bruxelas
Num passo histórico para a unidade cristã, a Conferência das Igrejas Europeias (CEC) e o Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE) lançaram a Carta Ecuménica Atualizada em 5 de novembro de 2025, em Roma. Este documento conjunto marca um marco na jornada ecuménica das igrejas europeias, renovando o seu compromisso de caminhar juntas no diálogo, na compreensão mútua e no testemunho partilhado em resposta aos desafios do nosso tempo.
A Carta atualizada foi oficialmente assinada por Sua Eminência o Arcebispo Nikitas de Thyateira e Grã-Bretanha, Presidente da CEC, e pelo Arcebispo Gintaras Grušas de Vilnius, Presidente do CCEE. Juntos, eles afirmaram a renovada dedicação em continuar a construir pontes entre as igrejas na Europa.
«Esta Carta Oecumenica é um apelo à consciência e cooperação», afirmou o Arcebispo Nikitas. «O nosso compromisso mútuo como igrejas não é abstrato — baseia-se na fé partilhada, vivida em meio à dor, à divisão e à esperança. Numa Europa fragmentada e secular, a Carta exorta-nos a redescobrir a força da nossa comunhão e a urgência da nossa missão. Devemos proclamar o Evangelho juntos, defender a dignidade humana e trabalhar lado a lado pela justiça, pela paz e pelo cuidado da criação. Esta é a nossa vocação ecuménica — não apenas falar de unidade, mas vivê-la.”
O arcebispo Grušas enfatizou que a Charta atualizada chega num momento crucial na trajetória da Europa. «As nossas igrejas são chamadas a ser sinais de unidade e esperança, não só em palavras, mas também em ações. Esta Carta capacita-nos para responder em conjunto às feridas da guerra, das deslocações forçadas e aos desafios éticos das novas tecnologias. Ela lembra-nos de caminhar com humildade, enfrentar os erros do passado e criar espaços de cura e reconciliação. Também nos chama a ouvir as vozes dos jovens e a envolvê-los na definição do caminho a seguir. Somos mais fortes quando estamos unidos.»
Abordar um panorama europeu em mudança
Assinada originalmente em 2001, a Charta Oecumenica tem servido há muito tempo como texto fundamental para a cooperação ecuménica em todo o continente. Esta versão recentemente atualizada — lançada no ano que marca o 1700.º aniversário do Concílio de Nicéia — reflete a evolução do panorama social, espiritual e ecológico da Europa. Aborda as necessidades prementes do mundo atual, incluindo a busca da paz e da reconciliação, o acolhimento de migrantes e refugiados, o apelo urgente à salvaguarda da criação e o aprofundamento das relações com as comunidades judaica e muçulmana.
O documento também oferece uma reflexão cristã sobre as dimensões éticas das novas tecnologias e amplifica o papel dos jovens como contribuintes ativos e líderes no ecumenismo. Um foco central ao longo de todo o documento é o compromisso de oferecer uma voz cristã unida na esfera pública — baseada na compaixão, na justiça e na responsabilidade partilhada pelo futuro da Europa.
Curar o passado, moldar o futuro
Com um espírito de humildade e esperança, a Carta atualizada não se coíbe de enfrentar as feridas do passado e as falhas institucionais. Em vez disso, oferece um apelo renovado à cura, à responsabilidade e à transformação, exortando as igrejas a viverem a sua unidade através de ações concretas e testemunhos.
Um documento nascido de uma ampla consulta
Esta versão da Carta foi desenvolvida através de um processo de consulta extenso e inclusivo, envolvendo igrejas, conferências episcopais e organizações ecuménicas em toda a Europa e além. Embora não tenha autoridade legal ou doutrinária, a sua força reside no compromisso moral e espiritual das igrejas em recebê-la e implementá-la livremente e contextualmente.
As igrejas são encorajadas a integrar a Carta na sua liturgia, educação teológica, diálogo intereclesial e vida comunitária. Pretende ser um recurso vivo que promova uma cultura ecuménica de cooperação e missão partilhada — desde a base até ao nível continental.
A Europa prepara-se para a esperada apresentação da Carta Ecuménica para a Europa, revista e atualizada, depois de processo de consulta, em que Portugal colaborou, apresentando contributos, terá lugar em Roma, nos dias 5 e 6 de novembro de 2025, num evento organizado conjuntamente pela Conferência Ecuménica das Igrejas e o Conselho das Conferências Episcopais da Europa. Este relevante documento para o ecumenismo, constitui a atualização da primeira Carta Ecuménica, lançada em 2021. O COPIC estará representado em Roma pelo Sr. Bispo D. Sifredo Teixeira.
Em Portugal, pela graça de Deus e o empenho das Igrejas de sensibilidade ecuménica, muitas são as iniciativas de cooperação que acontecem, desde o ecumenismo espiritual, celebrativo, material e colaborativo. Os encontros ecuménicos regulares entre a Conferência Episcopal Portuguesa e o Conselho Português de Igrejas Cristãs, são exemplo feliz e de esperança.
A propósito, no dia 28 de outubro de 2025, os responsáveis estiveram reunidos, em Albergaria, para orar, partilhar, consolidar e construir, em confiança, novas oportunidades de missão conjunta.
Entres os pontos da agenda, o projeto Eco Igrejas Portugal (www.ecoigrejas.pt) que tem como missão envolver igrejas e comunidades de fé no caminho da sustentabilidade e do cuidado com a Criação, foi apreciado com gratidão pelo trabalho desenvolvido pelas Igrejas e organizações envolvidas no projeto que propõe um percurso de Certificação, uma ferramenta prática de diagnóstico, gestão ambiental, formação e melhoria contínua para apoiar as Igrejas na integração de práticas sustentáveis.
Foi apontado o dia 24 de janeiro de 2026, sábado, em Lisboa, local a anunciar, em tempo da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que terá como tema “Há um só corpo e um só Espírito, do mesmo modo que a esperança para a qual foram chamados é uma só” Efésios 4, 4, a apresentação pública em português, da Carta Ecuménica para a Europa, revista, e a Celebração Ecuménica Nacional, que se associará à Vigília Ecuménica Jovem.
Comunicado de Imprensa
Eco Igrejas Portugal: comunidades cristãs lançam certificação ambiental inédita
23 de outubro de 2025 - O Programa e Certificação Eco Igrejas Portugal, iniciativa inédita que une diferentes confissões cristãs em torno do cuidado da Criação, será oficialmente lançado no próximo sábado, 25 de outubro, às 15h00, na Catedral de São Paulo, na Rua das Janelas Verdes em Lisboa. O projeto resulta da colaboração entre A Rocha - Associação Cristã de Estudos e Defesa do Ambiente, Aliança Evangélica Portuguesa, COPIC - Conselho Português de Igrejas Cristãs, Conferência Episcopal Portuguesa e REDE Cuidar da Casa Comum, com a A Rocha Portugal como entidade independente responsável pela certificação.
O programa surge numa conjuntura de emergência ecológica, com emissões recorde de gases com efeito de estufa, poluição, destruição de habitats e perda de biodiversidade e estilos de vida consumista que tocam profundamente as convicções cristãs de cuidado pela Criação e justiça para com os mais vulneráveis. Uma urgência diante da qual igrejas e comunidades de fé reconhecem ter um papel decisivo para a construção de soluções. Porém, muitas enfrentam dificuldades em transformar valores cristãos em ações concretas. É neste contexto que surge o Eco Igrejas Portugal, que oferece um caminho estruturado de transformação, orientação e exemplos de práticas concretas para que instituições religiosas, organizações sociais das igrejas e pequenas e médias empresas ligadas ao universo religioso possam agir de forma efetiva e sustentável.
“Rumo a uma cidadania cristã da Europa” foi o lema da reunião anual dos secretários gerais dos Conselhos Nacionais de Igrejas, promovido pela CEC – Conferência das Igrejas da Europa, em parceria com o Conselho de Igrejas da Dinamarca, anfitrião do evento, que teve lugar na bonita cidade de Nyborg, Dinamarca, entre os dias 15 e 17 de setembro de 2025.
Nyborg é uma cidade repleta de história, desde o tempo medieval, onde existem referências históricas a métodos sinodais, até ao relevante facto de ter sido precisamente naquela cidade e no mesmo hotel em que o encontro se realizou, Hotel Nyborg Strand que, no ano de 1959, se realizou a primeira Assembleia Geral da CEC, efeméride celebrada durante o encontro com o descerramento de uma placa comemorativa no hall do Hotel.
A organização do evento apostou acertadamente na inovação do modelo do encontro, e no atual contexto político da presidência da União Europeia pela Dinamarca, o Conselho de Igrejas Dinamarquês e a CEC, conseguiram, através e apoios estratégicos, alargar o evento à participação de Igrejas membro, à COMECE – Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia e várias organizações académicas e humanitárias com relevante serviço.
No total, o grupo, contou com mais de sessenta pessoas de toda a Europa, do Norte ao Sul do Este aos Oeste, de diferentes áreas de ação, que tiveram a oportunidade de acolher um vasto programa com diversas apresentações temáticas de enorme qualidade, desde a dimensão teológica, bíblica, eclesial e político diplomática. Os momentos informais e a visita ao castelo de Nyborg também constituíram oportunidade de reforço das relações interpessoais.
O COPIC - Conselho Português de Igrejas Cristãs, vai participar na reunião anual dos Conselhos Nacionais de Igrejas da Europa, entre os dias 14 e 17 de setembro de 2025, na cidade de Nyborg, Dinamarca, por convite da CEC - Conferência das Igrejas Europeias, em cooperação com o Conselho Nacional de Igrejas da Dinamarca.

Celebração Ecuménica Nacional assinala os 1700 anos do Concílio de Niceia
No passado dia 14 de junho, a Catedral de São Paulo, em Lisboa, acolheu a celebração ecuménica nacional, promovida pelo COPIC e pela Conferência Episcopal Portuguesa.
Estiveram presentes representantes de 9 Igrejas cristãs em Portugal, reunidos para assinalar os 1700 anos do Primeiro Concílio de Niceia – um marco fundamental na história da fé cristã.
Unidade na Diversidade Mensagem do Conselho Mundial de Igrejas Pentecostes de 2025
Niceia 2025
Viver juntos a fé apostólica hoje: comemoração do 1700.º
aniversário do primeiro Concílio Ecuménico de Niceia (325 – 2025)
A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) e o Conselho Português de Igrejas Cristãs (COPIC) promovem uma celebração ecuménica nacional, comemorativa do aniversário do Concílio Ecuménico de Niceia.
Simbolicamente a celebração ocorrerá no sábado dia 14 de junho, véspera do Domingo da Santíssima Trindade, no qual as Igrejas celebram a doutrina da Trindade expressa no Credo. Terá lugar na Catedral Lusitana de S. Paulo à Rua das Janelas Verdes em Lisboa às 15h00 e estarão presentes representantes de diversas Igrejas e tradições cristãs presentes em Portugal e convidados oficiais.
A cerimónia é uma oportunidade de celebrar a fé comum dos cristãos conforme expressa no Credo formulado no Concílio de Niceia. A celebração desta herança compartilhada permite aprofundar a fé que une os cristãos em Jesus Cristo e reforçar o testemunho conjunto que visa a unidade visível entre os cristãos e o serviço à sociedade. O Sr. Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, apresentará uma reflexão sobre a dimensão ecuménica deste aniversário e seu contributo para a unidade visível dos cristãos.
A liturgia da celebração oferecerá orações de intercessão, baseadas em escritos patrísticos dos séculos II a VIII, que são em si um chamado para um crescimento na fé no testemunho de Deus, Pai, Filho e Espírito Santo no mundo atual. Serão lidos textos da Sagrada Escritura, proclamada a fé uma vez dada aos santos contida no Credo de Niceia e o Pai nosso será recitado em conjunto.
Todos são bem-vindos e convidados a participar num mesmo espírito fraterno de oração e ação de graças ao Deus Uno e Trino fonte de comunhão e de amor.
Lisboa, 3 de junho de 2025.
Nota de Pesar pelo falecimento do Bispo Emérito Ireneu da Silva Cunha
Faleceu a sete do corrente, após algum tempo de enfermidade, Ireneu da Silva Cunha, Pastor da Igreja Metodista Portuguesa, posteriormente seu Superintendente-Geral e seu primeiro Bispo. O Bispo Emérito Ireneu da Silva Cunha foi o primeiro secretário geral do Conselho Português de Igrejas Cristãs (COPIC), cargo que ocupou desde 1971, ano da fundação do Conselho até 1984. Com alguns custos substanciais para o seu Ministério, interessou-se desde muito cedo pelo movimento Ecuménico no mundo a partir do Concílio Vaticano II, e em Portugal através da Comissão Intereclesiástica, que, com Metodistas, Lusitanos e Presbiterianos, lançará as bases do COPIC. Nos anos 60, sendo Pastor da Igreja Metodista de Aveiro aderiu de imediato à ideia da abertura de um Centro Ecuménico, em Buarcos, Figueira da Foz, tendo sido eleito membro da Direção deste Centro, inaugurado em 1969. Destacou-se também, por ter sido nesta época um dos grandes dinamizadores em Portugal da celebração da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que de maneira ainda informal e com forte contestação se realizou pela primeira vez no seminário dos Olivais, em Lisboa.
Na década de setenta do século passado desenvolveu ainda mais a sua paixão pelo Ecumenismo a partir do momento em que foi diretor da casa Universitária Ecuménica na cidade de Coimbra – Centro Emaús, tendo sido convidado pelo Bispo da Cidade - D. João Alves - para ser professor de Ecumenismo no Seminário Maior da Diocese de Coimbra entre 1979 e 1981. Aliou a sua fé em Jesus Cristo a uma forte consciência de intervenção social que o levou a coordenar após o 25 de abril e através do COPIC o projeto de ajuda aos retornados das ex-colónias e a envolver-se mais tarde na luta pela autodeterminação do povo de Timor Leste. Nos inícios dos anos 90 participou ativamente nos primeiros encontros ecuménicos nacionais entre as Igrejas do COPIC e a Conferência Episcopal Portuguesa e mais tarde também com a Aliança Evangélica de Portuguesa. Foi por diversas vezes presidente da Direção do Conselho e participando também em diversos organismos ecuménicos internacionais.
O seu comprometido testemunho de vida e de fé, o seu amor pela reconciliação e pela unidade entre os cristãos, o seu humor jovial e a sua visão poética da vida, constituem para nós hoje, num tempo de forte polarização e de discursos de ódio, um legado a ser mantido e ampliado na fidelidade à construção do Reino de Deus e para que o mundo creia em Jesus Cristo.
Rendendo graças a Deus pela vida e obra deste seu servo, a Direção do COPIC exprime sentidas condolências à sua esposa, D. Maria Teresa Cunha e aos seus filhos, netos e restante família, e à Igreja Metodista em geral, condolências sustentadas na fé na Ressurreição em Jesus Cristo.
No aniversário da invasão da Ucrânia
Conferência das Igrejas Europeias
apela às orações e à ação pela paz na Ucrânia
S. Exa. o Arcebispo Nikitas de Thyateira e da Grã-Bretanha, Presidente da Conferência das Igrejas Europeias (CEC), emitiu uma declaração que assinala o terceiro aniversário da invasão total da Ucrânia pela Rússia.
A CEC é solidária com o povo ucraniano e apela a uma ação global em prol de uma paz duradoura.
“Perante o imenso sofrimento e a injustiça, o povo ucraniano continua a mostrar uma resistência inabalável na sua luta pela liberdade e pela independência”, afirmou o Arcebispo Nikitas. “Agora, mais do que nunca, a nossa solidariedade deve ser acompanhada de acções concretas para uma paz justa e duradoura”.
A declaração refere os relatos dos meios de comunicação social, segundo os quais a guerra já custou mais de 150.000 vidas, deixou 60.000 desaparecidos e deslocou à força cerca de 19.500 crianças ucranianas. A destruição também causou danos estimados em 160 mil milhões de euros em infra-estruturas e levou a um sofrimento humano generalizado.
A CEC manifestou também a sua preocupação com as tácticas de guerra híbrida, incluindo campanhas de desinformação destinadas a distorcer os factos e a minar o compromisso da Ucrânia para com o direito internacional, a democracia e o pluralismo. “Apelamos aos líderes e às organizações internacionais para que desafiem as falsas narrativas e defendam a verdade”, exortou o Arcebispo Nikitas.

O Conselho Português de Igrejas Cristãs é uma Associação de Igrejas e Organizações de orientação ecuménica, que confessam Jesus Cristo como Deus, Senhor e Salvador, segundo as Escrituras, e que, portanto, procuram cumprir juntas a vocação comum para glória de Deus Uno e Trino – Pai, Filho e Espírito Santo.
O Conselho Português de Igrejas Cristãs é o resultado de uma experiência ecuménica que começou em 1956. Nesse ano, três Igrejas – A Igreja Evangélica Metodista Portuguesa, a Igreja Evangélica Presbiteriana de Portugal e a Igreja Lusitana Católica Apostólica Evangélica – formaram um organismo de cooperação a que deram o nome de Comissão Intereclesiástica Portuguesa.
A experiência foi enriquecedora. Por isso, as três Igrejas quiseram levá-la mais longe e decidiram criar um Conselho Nacional ou Federação de Igrejas. Após um longo período de preparação, foi fundado o Conselho Português de Igrejas Cristãs, e solenemente inaugurado com um culto de Acção de Graças no dia 10 de Junho de 1971.